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Sun Prairie - 20ª Missão

  • Foto do escritor: CBH
    CBH
  • há 3 dias
  • 13 min de leitura

Campanha Battletech Histórias

Semente de Inverno



Sun Prairie - 2807, 03 de janeiro

Sistema Solar

Informações Técnicas

SUN PRAIRIE

SISTEMA SUN PRAIRIE

Tipo de Estrela (tempo de recarga)

F6V (176 horas)

Estação de Recarga

Zenith

PLANETA SUN PRAIRIE

Facção Pertencente

Sóis Federados

Tipo de Planeta

Terrestre

Diâmetro

11.700,0 km

Posição no Sistema

3 (1.300 AU)

Tempo até o Ponto de Salto

13,88 dias

Duração do Ano

1,9 Ano terrestre

Duração do Dia

19 horas

Gravidade da Superfície

1,06g

Atmosfera

Respirável

Pressão Atmosférica

Alta

Composição Atmosférica

Nitrogênio e Oxigênio, mais gases residuais

Temperatura Equatorial

46ºC

Água da Superfície

31%

Maior Vida Nativa

Répteis

Satélites

Anfíbios

Territórios (Cidade Capital)

Cross I

Capital: Burchtown

Cross II

Cross III

População

369.957.729

Nível Sócio Industrial

Sofisticação Tecnológica B: Mundo avançado. Acesso a muitas novas tecnologias; hospeda universidades; bons cuidados médicos disponíveis (embora faltem a maior parte das tecnologias médicas de ponta); indústria de microeletrônica básica. Desenvolvimento Industrial B: Moderadamente industrializado. Pode produzir uma quantidade e gama limitada de produtos complexos.

Dependência de Matéria-Prima A: Totalmente autossuficiente. O sistema produz todas as matérias-primas necessárias e pode exportar em grandes quantidades.

Produção Industrial B: Boa saída. Base industrial e comercial mundial suficiente para uma modesta exportação de produtos.

Dependência Agrícola D: Agricultura pobre. A produção agrícola mínima obriga a uma forte dependência de importações de fora do mundo para sustentar a população local.

Classe HPG

Classe HPG tipo B

Fonte: MegaMekHQ


Atacantes [Jogadores]


Defensor [IA MegaMek]


Audio cover
C24M20 Início

2807, 03 de janeiro - Sun Prairie

Cross II, Complexo de Pesquisa Helix-Burchtown

Sun Prairie parecia ter sido criado para contradizer seu próprio nome.

O sol local surgia pesado sobre o horizonte, atravessando uma atmosfera densa, quente e úmida, que transformava cada raio de luz em uma lâmina dourada filtrada por névoa. A pressão elevada do ar fazia os sensores ópticos parecerem sempre um passo atrasados, como se o mundo respirasse devagar demais. A temperatura equatorial passava facilmente dos quarenta graus, e o calor subia das estradas pavimentadas em ondas que distorciam árvores, montes baixos e os grandes pântanos azulados espalhados ao redor do complexo.

Sun Prairie era um mundo avançado, mas desequilibrado. Seus centros médicos, universidades técnicas e laboratórios de pesquisa estavam muito acima da média da Esfera Interior em plena Primeira Guerra de Sucessão. Ainda assim, o planeta tinha uma agricultura pobre, incapaz de sustentar adequadamente sua própria população sem importações constantes. Essa contradição fazia de Sun Prairie algo valioso demais para ser abandonado e frágil demais para suportar uma ocupação prolongada.

Enquanto a AFFS avançava sobre o sistema, o Marechal Thomas Halder-Davion percebeu que a batalha por Sun Prairie não seria vencida apenas com a tomada de Burchtown ou com a destruição das guarnições Kuritas espalhadas pelos continentes de Cross II e Cross III. O verdadeiro valor do planeta estava nos complexos de pesquisa: centros de medicina avançada, microeletrônica básica, bioengenharia aplicada, suporte atmosférico, recuperação neural e próteses militares. Em uma guerra que já havia começado a consumir a tecnologia da antiga Liga Estelar como lenha em uma fornalha, cada laboratório preservado era uma vitória contra o futuro sombrio que se aproximava.

E então vieram os arquivos de Corydon.

A Companhia Mercenária havia deixado o Data Center Fama-Norte com dados incompletos, mas suficientes para revelar que o Protocolo Karasu era maior do que uma simples rede de evacuação. Akihiro Sato não estava apenas tentando salvar técnicos, peças de WarShips e códigos de navegação. Ele estava organizando uma retirada inteligente, cirúrgica, feita para preservar aquilo que o Dragão precisaria amanhã e destruir aquilo que poderia fortalecer os Sóis Federados hoje.

O termo encontrado nos arquivos era enigmático:

Semente de Inverno.

No início, os analistas da AFFS imaginaram tratar-se de uma operação agrícola, talvez sabotagem de silos, contaminação de reservas ou destruição de linhas de abastecimento. Mas a MacAres Solon não concordou. A IA cruzou os dados de Corydon com registros industriais de Sun Prairie, rotas de ataques Kuritas e padrões de prioridade estratégica. A resposta surgiu em menos de seis segundos.

— “Conclusão revisada: Semente de Inverno não se refere a alimentos. Refere-se à destruição de capacidade científica. O alvo provável é o Complexo de Pesquisa Helix-Burchtown.”

O complexo ficava ao sul de uma região florestal atravessada por estradas estreitas, pântanos e elevações baixas. Oficialmente, era um centro de pesquisa médica e tecnológica, voltado à recuperação de feridos graves, próteses de interface neural, microcircuitos de diagnóstico e sistemas de suporte clínico. Na prática, após a chegada da AFFS, ele havia se tornado essencial para decodificar parte dos arquivos recuperados em Corydon. Os computadores e especialistas do Helix-Burchtown eram capazes de reconstruir padrões criptográficos que os sistemas de campanha da AFFS levariam semanas para quebrar.

Sem o laboratório, o Protocolo Karasu continuaria apenas parcialmente compreendido.

Com ele intacto, Halder-Davion poderia enxergar a estrutura inteira da retirada Kurita.

A ordem veio em canal fechado.

A imagem do Marechal surgiu nos monitores dos mercenários enquanto seus BattleMechs avançavam pelas estradas ao sul do complexo, passando por depósitos de pesquisa, abrigos técnicos e plataformas de pouso improvisadas.

Mercenários, Corydon nos deu o nome. Sun Prairie pode nos dar o plano inteiro. O Complexo Helix-Burchtown está trabalhando na reconstrução dos arquivos Karasu neste exato momento. O Combinado sabe disso. Eles vão tentar destruir os laboratórios antes que a decodificação termine - Diz o Marechal.


Halder parecia mais cansado do que nas primeiras operações da contra-ofensiva. A campanha de 2801 havia começado como vingança e libertação. Agora, em 2807, era uma guerra de exaustão, logística e sobrevivência estratégica.

Protejam os laboratórios. Não deixem que Sato apague o que encontramos. Se perdermos esse complexo, vamos continuar lutando às cegas. Reforça Halder.

A Companhia assumiu posição entre as estruturas de pesquisa. Ao norte, a floresta parecia calma demais. Ao leste, pequenos cursos d’água cortavam o terreno em faixas escuras. As estradas criavam corredores de avanço, bons para deslocamento rápido, mas perigosos sob fogo cruzado. Os sensores térmicos sofriam com o calor ambiente; cada reator de fusão inimigo aparecia e desaparecia como um fantasma atrás da vegetação densa.

Rotas prováveis de avanço inimigo identificadas. Norte pela estrada principal. Nordeste pelas elevações. Oeste através de cobertura vegetal. Recomendação: defesa em profundidade. Observação adicional: há interferência ativa tentando invadir os canais de comunicação da Companhia. Diz a MacAres Solon marcando possíveis vetores de ataque no HUD dos pilotos.

Antes que alguém respondesse, todos os cockpits foram tomados por uma estática curta.

Então uma imagem apareceu.

Um homem de rosto estreito, cabelo escuro preso de forma impecável e uniforme do Combinado Draconis surgiu nas telas táticas dos BattleMechs. Ele não parecia estar em um campo de batalha. Atrás dele havia sombras, painéis de comando e o brilho frio de instrumentos de navegação. Sua voz era calma, firme, quase educada.

Companhia Mercenária. Finalmente. Diz o home.

A transmissão tinha atraso mínimo. Não era uma gravação comum.

A MacAres Solon reagiu imediatamente falando que a assinatura visual e vocal é compatível com Tai-sa Akihiro Sato. Não conseguindo identificar a fonte, a qual estava mascarada e com origem não determinada.”

Sato inclinou levemente a cabeça, como se tivesse ouvido a IA.

— “Corydon lhes deu meu nome. Albion lhes deu minha sombra. Confesso que fiquei ansioso para conhecê-los. Poucas unidades contratadas conseguem causar tanto desconforto a tantos oficiais do Dragão.”

A frase pairou nos cockpits como uma lâmina fina.

— “Desde Kentares, vocês avançam ao lado dos Davions como se fossem mais que mercenários. Uma ponta de lança, talvez. Um símbolo conveniente. E símbolos, quando quebrados no momento certo, fazem mais barulho que regimentos inteiros.”

Um dos canais internos da Companhia tentou cortar a transmissão, mas a imagem permaneceu. A MacAres Solon começou a empilhar alertas de segurança, isolando subsistemas, fechando portas digitais e filtrando ruído nos neurocapacetes.

Sato continuou.

— “Hoje, em Sun Prairie, vocês protegerão laboratórios que não compreendem, cientistas que não conhecem e arquivos que não terão tempo de ler. Do outro lado da mata, meus guerreiros carregam ordens simples: destruir o que fortalece o inimigo. A força Kurita é muito eficiente em destruir mercenários quando decide tratá-los como prioridade.”

Ele fez uma pausa breve. Pela primeira vez, seus olhos pareceram focar diretamente nos pilotos.

— “Mostrem-me, então, por que Halder-Davion confia tanto em vocês.”

A transmissão terminou.

Por dois segundos, só houve o som dos reatores, o zumbido dos giroscópios e o vento quente batendo contra as blindagens.

Então os sensores da MacAres Solon explodiram em contatos.

Ao norte, entre as árvores, assinaturas térmicas Kuritas surgiram em formação dispersa. A oeste, unidades leves avançavam usando a floresta como cobertura. No nordeste, BattleMechs mais pesados se moviam devagar, calculando ângulos de tiro contra as estruturas dos laboratórios. Não vinham para tomar o complexo.

Vinham para queimá-lo.

A voz da Marechal Halder retornou ao canal da Companhia, avisando que o ataque inimigo estava confirmado. Pediu que a prioridade tática fosse impedir linha de tiro contra os laboratórios e preservar a capacidade de decodificação dos arquivos Karasu.

As portas blindadas do Complexo Helix-Burchtown se fecharam atrás dos mercenários. Dentro dos laboratórios, cientistas, médicos e técnicos continuavam trabalhando sob luzes de emergência, tentando reconstruir o coração do Protocolo Karasu antes que a guerra atravessasse as paredes.

Do lado de fora, a Companhia Mercenária se posicionou entre o Dragão e o futuro dos Sóis Federados.

Sun Prairie não seria uma batalha por território.

Seria uma batalha por conhecimento.

E Akihiro Sato queria ver quanto custaria destruí-lo.


Situação

Após a operação em Corydon, a AFFS recuperou dados parciais sobre o Protocolo Karasu, operação coordenada por Tai-sa Akihiro Sato para preservar ativos estratégicos Kuritas e impedir que os Sóis Federados consolidem suas vitórias. A inteligência artificial da Companhia Mercenária identificou que os laboratórios de Sun Prairie são capazes de reconstruir os arquivos corrompidos capturados no Data Center Fama-Norte.

A missão ocorre no continente de Cross II, próximo ao Complexo de Pesquisa Helix-Burchtown. Sun Prairie é um mundo tecnologicamente avançado, com bons centros médicos e pesquisa técnica relevante, industrialização moderada, autossuficiência em matérias-primas e boa capacidade de exportação, mas agricultura pobre e dependente de importações.

A Companhia Mercenária entra em campo para defender os laboratórios representados pelas estruturas ao sul do mapa. O terreno possui florestas, áreas alagadas, estradas, elevações e corredores naturais de avanço. As forças Kuritas atacam a partir das áreas ao norte e nordeste, buscando linha de tiro contra os prédios de pesquisa ou aproximação suficiente para destruir os laboratórios.

Objetivo dos mercenários é impedir que o Combinado Draconis destrua o Complexo Helix-Burchtown até o fim da missão.

No início da batalha, Akihiro Sato estabelece contato direto com os MechWarriors, demonstrando alto grau de conhecimento em invasão cibernética, conhecimento sobre a Companhia e interesse incomum em seu desempenho.

Esta missão consolida as informações sobre Sato e revela que o Karasu não é apenas uma retirada militar, mas uma estratégia para preservar recursos Kuritas, apagar rastros, destruir capacidades científicas inimigas e preparar futuras ações contra os símbolos de moral da AFFS.

Esta batalha recria os fatos ocorridos na história, em 03 de janeiro de 2807.


Configuração do Jogo

Utilizar o programa MegaMek, https://megamek.org/ para servir de base para o jogo.

Para jogos presenciais, coloque as folhas de mapa o mais parecido possível com o mapa apresentado acima.

Colocar os jogadores no time 1 – Atacantes, contratados pelo Sóis Federados.

O GM ou administrador do MegaMek deve criar um 2º player, sendo time 2 - Defensor, controlado pela IA (Princess), para representar o Combinado Draconis, configurado como "Striker".


Mapa



Atacante [Jogadores]

Cada jogador da Campanha Battletech Histórias poderá usar qualquer um dos seus Mechs adquiridos nas missões anteriores.

Para jogos livres (fora da Campanha Battletech Histórias), cada jogador deve escolher apenas um Mech da tabela abaixo, não podendo haver Mechs repetidos entre jogadores:

O MechWarrior de cada jogador iniciará com suas habilidades baseado no avanço conquistado durante as missões anteriores da Campanha Battletech Histórias.

Caso o jogador com seu MechWarrior seja novo na Campanha, ele iniciará conforme as regras de “Criação de Personagem” da Campanha. Caso esta missão seja jogada independente da Campanha, o jogador usará 4 de Artilharia e 5 de Pilotagem.


Defensor [IA MegaMek]

O GM ou administrador do MegaMek deverá escolher Unidades do Combinado Draconis conforme tabelas abaixo com:

  • 100% de BV do Atacante (jogadores) para o 2º Player, sendo qualquer proporção entre BattleMechs e Infantaria Mecanizada;

Os Pilotos do Combinado Draconis (Kuritas) tem habilidades 3 de Artilharia e 4 de Pilotagem, sem Habilidades Especiais, podendo ser alteradas pelo GM.


Desembarque

  • Atacante [Jogadores]: Time 1, fará seu desembarque em até 3 hexes da borda norte do mapa (lado superior);

  • Defensor [3º Player]: Time 2, fará seu desembarque em até 3 hexes da borda sul do mapa (lado inferior);


Objetivos

Atacante [Jogadores]:

  • Laboratórios de pé (+100) Impedir a destruição dos três complexos de pesquisa localizados nos hexes 0433, 1833 e 3233, incluindo suas respectivas construções adjacentes.

    Cada complexo é considerado preservado se, ao final da missão, nenhum hex pertencente à sua estrutura principal ou às construções adjacentes vinculadas a ele tiver sido destruído.

    Caso qualquer hex de um complexo seja destruído, todo aquele complexo será considerado comprometido e não concederá pontuação.

    (+100 Pontos de Conquista para cada complexo de pesquisa que terminar a missão de pé)

Defensor [2º Player]:

  • Prédio na chon (+100)  Destruir ou inutilizar os três complexos de pesquisa localizados nos hexes 0433, 1833 e 3233, incluindo suas respectivas construções adjacentes.

    Cada complexo é considerado destruído se qualquer hex pertencente à sua estrutura principal ou às construções adjacentes vinculadas a ele for destruído durante a missão.

    A destruição representa a perda dos servidores, laboratórios, arquivos técnicos e dados de pesquisa ligados à decodificação do Protocolo Karasu.

    (+100 Pontos de Conquista para cada complexo de pesquisa destruído)


Extração

  • Atacante: poderá sair do mapa por qualquer dos lados;

  • Defensor [2º Players]:  poderá sair do mapa por qualquer dos lados;


Condição de Término da Partida

Quando uma ou mais das opções abaixo for alcançada:

  • Quando chegar ao final do 12º turno.


Condições Ambientais

  • Gravidade: 1,06g;

  • Temperatura: 46ºC;

  • Período: manhã (10 horas);

  • Visibilidade: normal (iluminação natural), parcialmente nublado.


Regras Especiais


Demolição:

Cada hex de construção dos laborátórios possuem altura 2 e Construction Factor - CF (Fator de Construção) com 15 pontos.


Dano Incapacitante (opcional):

Qualquer Mech que sofrer dano incapacitante conta como destruído para fins da missão, mas permanece em jogo. Todavia deve se movimentar obrigatoriamente na direção por onde entrou no mapa até que possa fugir (no caso do defensor deve retornar para a base, no centro do mapa, e ficar parado sem se movimentar ou atirar). Nenhum Mech incapacitado pode atirar.

O Mech sofre dano incapacitante quando estiver em uma ou mais das situações abaixo:

  • Uma ou ambas as pernas estão destruídas;

  • Todas as suas armas estão destruídas;

  • Seu giroscópio está destruído;

  • Sofreu dois acertos críticos no motor.


Mechwarrior Highlander! (opcional)

No início de cada Capítulo, cada jogador deve declarar se seu MechWarrior está utilizando está regra ou não.

Caso não estejam utilizando a regra, não poderá voltar a usar esta regra até o final do capítulo.

Se o jogador estiver utilizando esta regra e o MechWarrior sofrer dano a ponto de óbito, este não será considerado morto, porém não poderá concluir a missão, mas poderá ser novamente utilizado em batalhas futuras.


Espólio

Em caso de vitória, cada jogador participante tem acesso a plantas de BattleMech, permitindo uma customização total. Também tem direito ao BattleMechs da força adversária que foram destruídos ou inabilitados na condição em que se encontram ao final da missão.

Conclusão

Audio cover
C24M20 Final

A fumaça não subia reta em Sun Prairie.

Ela se espalhava baixa, pesada, presa na atmosfera densa do planeta, misturando-se ao vapor dos pântanos e ao calor ondulante das estradas. O campo ao redor do Complexo Helix-Burchtown estava irreconhecível. Árvores antigas haviam sido partidas ao meio por lasers. Trechos inteiros de floresta queimavam em silêncio abafado. A água rasa dos alagados fervia em bolsões escuros onde disparos de PPC haviam aberto crateras de vidro e lama.

Os laboratórios ainda estavam ali.

Ou parte deles.

O bloco principal permanecia iluminado por luzes de emergência, suas janelas blindadas rachadas refletindo o brilho distante de incêndios. Um dos anexos técnicos havia sido atingido; outro estava coberto por espuma anti-incêndio. Equipes de segurança corriam entre corredores internos carregando servidores portáteis, módulos médicos, caixas de armazenamento criogênico e técnicos feridos. Em meio ao caos, os pesquisadores continuavam trabalhando.

Porque a guerra não esperava.

A Inteligência Artificial da Companhia Mercenária processava os últimos pacotes de dados transmitidos pelo núcleo computacional do complexo. Os arquivos de Corydon, antes fragmentados, agora começavam a formar uma estrutura compreensível. Rotas. Nomes. Autorizações. Unidades de transporte. Técnicos de Albion. Códigos de navegação. Designações de alvos. Falsos vazamentos. Pontos de retirada.

E, no centro de tudo, o mesmo nome.

Akihiro Sato.

A voz da IA surgiu nos canais internos da Companhia, marcada por ruídos de interferência.

— “Reconstrução parcial concluída. Protocolo Karasu definido com maior precisão. Função primária: preservação estratégica de ativos Kuritas. Função secundária: negação de recursos aos Sóis Federados. Função terciária...”

A transmissão falhou por um instante.

— “...observação e classificação da Companhia Mercenária como ameaça operacional prioritária.”

A frase caiu sobre os cockpits como um impacto sem explosão.

Nos canais da AFFS, o Marechal Thomas Halder-Davion ouviu o relatório em silêncio. Quando respondeu, sua voz veio baixa, controlada, mas sem esconder a gravidade da descoberta.

— “Então Sato não estava apenas apagando rastros. Ele estava estudando quem conseguia segui-los.”

Do outro lado do campo, as unidades Kuritas recuavam pela mata. Não era uma fuga desordenada. Era retirada disciplinada. Algumas máquinas cobriam o avanço das outras; outras deixavam minas, cargas térmicas e interferência eletrônica para trás. Haviam falhado em destruir tudo — ou talvez destruído o suficiente. Haviam perdido homens e máquinas — ou talvez comprado exatamente os dados que Sato queria.

Em um dos laboratórios, os cientistas recuperaram uma última transmissão presa aos sistemas de interferência inimigos. A IA isolou o áudio, removeu camadas de ruído e reproduziu o arquivo para a Companhia.

Akihiro Sato.

— “Vocês protegeram pedras e vidro com admirável empenho. Isso confirma muito do que eu precisava saber.”

A gravação continuou.

— “Mercenários costumam lutar por pagamento. Vocês lutam como se carregassem a bandeira dos Sóis nas costas. Isso é raro. Isso é útil.”

Houve uma pausa.

— “Nos veremos novamente em Rowe.”

A transmissão terminou sem ameaça direta, sem grito de vitória, sem promessa de vingança. E justamente por isso pareceu pior.

No exterior do complexo, os BattleMechs da Companhia permaneciam entre os laboratórios e a floresta, cobertos de fuligem, lama e marcas de impacto. Atrás deles, cientistas de Sun Prairie tentavam salvar o que restava dos dados. À frente, o Dragão recuava com a calma de quem ainda não havia revelado sua verdadeira lâmina.

O resultado da batalha seria registrado em relatórios técnicos: estruturas preservadas, anexos comprometidos, servidores recuperados, perdas confirmadas, grau de sucesso da defesa ainda sob avaliação.

Mas uma coisa já estava clara.

A Companhia havia ido a Sun Prairie para proteger laboratórios.

Saiu de lá sabendo que também havia sido observada, medida e catalogada.

O Karasu, enfim, começava a aparecer por inteiro.

E no centro dele não havia apenas uma rota de fuga.

Ficou uma dúvida no ar, por que ele falou onde estava - "Nos veremos novamente em Rowe"?

Havia uma armadilha sendo construída.


Experiência para os MechWarriors

Após a batalha, os pontos de experiência e C-Bills devem ser contabilizados e distribuídos entre os jogadores e seus MechWarriors, conforme regras da Campanha Battletech Histórias.

Distribua os pontos de reputação da Esfera Interior e o de Mercenários conforme resultado da missão.

Os jogadores agora podem aprimorar seus MechWarriors e reparar seus BattleMechs.


Criado por:

Rosemberg A. F.

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